Transtorno de Ansiedade de Separação

Como exposto no primeiro artigo do Ciclo Ansiedade, podemos ficar ansiosos por causa de muitas coisas. Em alguns casos, a ansiedade é útil e até bem-vinda para a nossa segurança e sobrevivência. Em outras, ela pode ser excessiva, exagerada, causando justamente o efeito oposto de seu propósito e nos atrapalhar no trabalho, na família, na sociedade, enfim, na vida.

A ansiedade é um problema mais visto (ou talvez mais percebido) pelos adultos, já que na vida adulta temos obrigações e demandas que não podemos nos afastar, que geram preocupações e ansiedade como efeito colateral. No entanto, ela pode ser vista em todas as idades. Apesar de os transtornos de ansiedade acontecerem com mais frequência na vida adulta, elas podem também aparecer na infância, afetando as crianças num nível profundo, podendo atrapalhá-los e provocar efeitos diversos em seu desenvolvimento.

Neste artigo você conhecerá um pouco mais sobre o Transtorno de Ansiedade de Separação.

Imagine o seguinte cenário:

Pedro tinha apenas seis anos de idade quando perdeu seu pai, uma figura muito importante em sua vida, da qual tinha muito carinho. Depois desse evento triste, Pedro começou a apresentar alguns sintomas, como se preocupar excessivamente com a mãe, os avós e os irmãos (outras figuras significativas presentes em sua vida). Quando algumas dessas pessoas têm de sair de casa, ele sofre muito e passa a chorar, gritar e espernear. Quando as pessoas decidem ficar, para que ele não sofra, ele se acalma. Mas quando elas precisam mesmo sair, ele continua sofrendo até que voltem, apresentando sintomas como agitação, tristeza, coceiras sem causa aparente, entre outras coisas.

A família do menino acha que tudo isso anda acontecendo por causa da perda do pai  e eles não estão errados, mas o quadro de Pedro continua frequente e cada vez mais intenso. Ele reluta e recusa sair de casa, ir a escola, ao parque ou a creche, mesmo em atividades que antes gostava de fazer, tendo seu desempenho prejudicado e deixando ao avesso a vida das pessoas que estão à sua volta.

Esse é apenas um exemplo de como esse transtorno pode se apresentar. Mas vamos aprender um pouco mais sobre os sintomas e as causas dele.

O gatilho (processo disparador de uma reação) do desenvolvimento do Transtorno de Ansiedade de Separação é a ocorrência de um estresse vital na vida da pessoa. Esse estresse pode ser a ocorrência de uma doença na criança ou em uma pessoa próxima ou outras mudanças significativas de vida, como divórcio, mudança de cidade ou de casa, mas ocorre sobretudo quando há a perda de uma figura significativa de apego. Essa figura pode ser o cuidador mais próximo, como pai, mãe e avós, como também irmãos, tios e primos queridos, podendo ser, inclusive, um animal de estimação.

Há evidências de que superproteção e intromissão parental estejam envolvidas no desenvolvimento do transtorno. Ou seja, crianças que são superprotegidas pelos seus pais, que não são ensinadas a ter autonomia para cuidar de si mesmas ou que têm pais imaturos e instáveis podem estar em maior risco. Há também um forte fator de predisposição genética, podendo pais e irmãos desenvolverem ou já terem desenvolvido o transtorno na vida.

Uma das grandes preocupações em relação ao transtorno é a ocorrência dele em conjunto com outras condições, em especial outros transtornos de ansiedade, mas também com Transtorno Obsessivo Compulsivo e transtornos de personalidade.

Apesar deste transtorno acontecer em maior frequência com crianças, ele também pode acontecer a adolescentes e adultos. Porém, estes manifestam menos problemas comportamentais e mais queixas físicas, o que pode tornar o diagnóstico mais difícil.

Tratamento

Por acontecer em sua maioria com crianças e por causa do medo da separação, o tratamento é feito em conjunto com a família, estando os parentes frequentemente presentes nas sessões de terapia. Técnicas cognitivo-comportamentais para reduzir o diálogo desadaptativo interno da criança, tal como análise de pensamentos automáticos disfuncionais e outras técnicas como treinamento de habilidades para resolução de problemas e enfrentamento de situações temidas, são muito eficazes. Tratamento medicamentoso em conjunto com a psicoterapia só é necessário em casos muito intensos de ansiedade.

Para os pais e outros cuidadores, oferecer cuidado emocional ao conversar com a criança demonstrando carinho e empatia e incentivá-la a falar sobre seus sentimentos e a ser um pouco mais autônoma ajuda bastante. É importante lembrar que a maioria das crianças apresentam um pouco de ansiedade de separação, mas esta desaparece com a idade, além de não ser tão intensa e preocupante como a apresentada pelo transtorno. Por isso, o diagnóstico deve ser feito por um profissional habilitado.

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